domingo, 25 de março de 2012

Outono na Veia, Primavera nos Dentes.



Outono na Veia, Primavera nos Dentes.


O fim de março em Floripa foi marcante pelo forte calor do veranico costumeiro e a temperatura alta das comemorações de aniversário da cidade e seus eventos culturais. Não, no título “Outono na Veia” não há alusão às drogas, como talvez haja nas bandas contratadas pelas cidades catarinenses de Florianópolis e São José para a comemoração de seus aniversários.  “Skank, na beira-mar de São José dia 18 de março”, este era o áudio do comercial da festa de comemoração do aniversário da cidade de 262 anos. Questiona-se se maconha talvez não seja de mais agrado e consumo da população, alem de menos sequelante. Droga maior é a oferecida pela prefeitura de Floripa: “Victor e Leo” com direito a gravação do DVD ao vivo. Droga da pesada, viciante e deprimente. Detalhe que o aniversário da cidade é dia 23 de março e o show só dia 28. Tudo a ver com o clima super country da ilha.  A possível comercialização futura do produto gravado pode ser considerado tráfico intolerável de drogas intoleráveis. Psicomato.


Mas voltando ao título, “Outono na Veia” não só é alusão à droga, como, pelo contrário, citação da qualidade. Outono na veia é um trocadilho com a música que corre no sangue da vida musical da Ilha, original de Biguaçu, homônima da canção dos Secos e Molhados: inspiração; Primavera nos Dentes, 12 anos depois, no palco da Maratona Cultural, na pracinha da Lagoa. Floripa Jurássico Park, lá se encontravam músicos, artistas e pessoas que fizeram parte da cena musical Ilhéu dos anos 90. Mané Beat. Ás 16 horas do sábado, 24 de março de 2012, o pernilongo avuou meio de lado e o cabelo do maluco ficou todo arrepiado com uma das bandas mais importantes da história do rock de Floripa voltando ao palco. No folder do evento estava escrito Primavera nos dentes [Rock Folk]: sutil detalhe. Os ratos que roíam minha roupa não são mais os mesmos e por isso eu sinto falta de você, e o público cantou junto, matando as saudades dos shows no Berro D’água, Matisse, Ganzá e Sufoco. Rostos se olhavam como quem diz: “Não te conheço de algum lugar”, e lá vai o tal, lendo um jornal de outros anos, com outros planos. TD continuava desengonçado e preciso numa bateria três números menor que ele. O capitão do barco vai levar a gente lá pro fundo do mar. Joe Zangga, todos os minutos com um sorriso no rosto emanando saúde e alegria; cantou como um macaco velho com o olho arregalado, com o sangue inflamado.  Enquanto Nei d’Bertta solava em sua harmônica um Meloso Blues, Duda Medeiros cantava junto na plateia a música que a sua Carne Viva também gravara. Márcio Packer, melhor até que Márcio Packer, mostrando boa forma é um Santana da Ilha. Saudades do Rogerinho, Ali Empaléia e da Isabela. Faltou Andreia, será que precisava de ensaio? Fazendo um som só de malandro, lá vai a tal Primavera fazendo este que talvez tenha sido o grande momento desta Maratona Cultural. Emocionante.


Após o Primavera, o princípio de chuva esvazia a praça e Luciano Bilu, o Jeff Beck da Ilha, o maior guitarrista destes Açores, e que nos 90 era Indiana Blues, sobe ao palco para solos perfeitos, mas difíceis de serem ouvidos, pois o teclado estava muito mais alto que a voz e a guitarra; difícil era ouvir isto e olhar para o mesa de som abandonada, sem um técnico de som para perceber e corrigir. Este descaso das empresas de sonorização da região com os artistas locais também é famoso desde os anos 90. Ridículo. Outro ponto negativo foi o Show de Lenine no trapiche da Beira-Mar. Com apenas dois músicos (ou talvez DJs), Lenine fez um show monótono, acompanhado por playbacks chatos e um baixo muito intenso, embolando um ruído cansativo. Não empolgou nem um pouco, até mesmo seu violão, normalmente ponto alto do show, estava com um som estranho e fraco. Falhou Lenine, falhou sonorização. O iriê salvou a pátria na preliminar do pernambucano, simples e certo, tiro certo. Reggae muito bom. Ritmo certo. Outro ponto negativo: alô prefeitura, não se faz Maratona Cultural numa cidade sem transporte público. Domingo só se foi a Beira-Mar de carro, não tinha vagas, não se via um ônibus; mas querer transporte público de qualidade em Floripa é pedir demais, isto são outros textos, pois minha filosofia é a filha da Sofia, e nada do que foi dito, será dito pelo dito ou por você.

MAzinho SoL, músico, produtor musical, crítico de arte e jornalista.


Olimpíadas, Um Espelho do Mundo - Texto Revista Its.


Olimpíadas, um espelho do mundo.

Neste ano, mas precisamente de 27 de julho a 12 de agosto de 2012, serão realizados os jogos olímpicos na cidade de Londres, na Inglaterra. Além obviamente do esporte, não podemos descartar a correlação das olimpíadas com a política e com a economia do planeta. Os jogos olímpicos sempre refletiram as posições políticas e as situações econômicas dos países que dele participam, e principalmente que o sediam. Sediar uma olimpíada é expor sua cidade e seu país para os olhos das outras nações. Receber milhares de visitantes certamente mexe com a economia e a vida das pessoas da cidade sede. Em 2012 é a vez de Londres, e, nós brasileiros devemos ficar muito atentos, pois sediaremos uma copa do mundo de futebol em 2014 e uma olimpíada no Rio de Janeiro em 2016.

Historicamente, encontramos vários fatos que nos mostram a relação dos jogos com o panorama político e econômico de seu tem tempo. Um dos melhores exemplos desta relação é a olimpíada de 1936 de Berlim. Realizada pouco antes da segunda guerra mundial, teve como objetivo mostrar para o mundo o poder germânico e a superioridade da raça ariana sobre os outros povos. Realmente, devido ao investimento e ao fato de estarem em casa, os alemães conseguiram o maior número de medalhas de ouro, 33 no total, mas Adolf Hitler teve que assistir de seu camarote o fenômeno negro norte-americano Jesse Owens que venceu quatro provas do atletismo, incluindo o 100 metros rasos. Hitler se negou a apertar sua mão e lhe entregar a medalha de ouro, retirando-se do estádio na cerimônia de premiação. As olimpíadas de 1940 e 1944 foram canceladas devido à segunda guerra mundial e nos jogos de Londres de 1948, o Japão foi proibido de participar e a União Soviética mandou apenas uma delegação de observadores.


Outro fato político importante ocorreu antes do início da olimpíada de Munique, na Alemanha, em 1972 quando um grupo de terroristas da Organização Setembro Negro da Palestina invadiu a vila olímpica e matou onze atletas da delegação de Israel. Durante o final da guerra fria nos anos 80 temos dois boicotes famosos: na olimpíada de Moscou em 1980, os Estados Unidos lideram um grupo de 62 nações, incluindo o Japão e a Alemanha Ocidental que não foram a esta olimpíada em represália a invasão soviética ao Afeganistão em dezembro de 1979; nos jogos olímpicos de 1984, em Los Angeles, foi a União Soviética que deu o troco, liderando um bloco de países socialistas que não foram aos Estados Unidos alegando falta de segurança para suas delegações.


Nos últimos jogos, com um mundo mais interligado e globalizado, os conflitos bélicos interferem menos e sobressai a força do poder econômico. Um reflexo disto é a diminuição de medalhas por países como os Estados Unidos e a Rússia, em função de suas crises econômicas e o aumento de medalhas de países emergentes como a China e o Brasil. A China organizou sua olimpíada em Pequim 2008, investindo no esporte e mostrando ao mundo seu poder. A olimpíada chinesa foi seu cartão de visita para o novo mundo globalizado, vindo junto com o crescimento de sua economia e sua importância política no mundo. Seguindo esta linha, o Brasil, cada vez mais forte e importando nas tramas da teia política internacional, recebeu a incumbência da realização de sua olimpíada em 2016 e pode seguir alguns passos da China.


A cidade de Londres já havia sediado duas outras olimpíadas, a de 1908 e de 1948 e uma copa do mundo de futebol em 1966, além de ser uma cidade já bem estruturada, principalmente na área de transporte público, mesmo assim muitos investimentos estão sendo realizados para a cidade receber os atletas e as competições. O Estádio Olímpico de Londres, onde serão realizadas as provas de atletismo, tem sua estrutura toda de aço e está sendo construído na região olímpica que faz parte do processo de regeneração do bairro de Stanford. Há uma preocupação muito grande do comitê organizador de não construir elefantes brancos (obras gigantescas com pequenas utilizações após o evento) e o que mais impressiona é a preocupação com o deslocamento: várias linhas de trem e metrô passam pelas sedes e vila olímpica. O comitê organizador acredita que mais de 80% dos atletas não demorarão nem 20 minutos para se deslocarem de suas hospedagens aos locais de prova. No Rio de Janeiro, o transporte já não é dos melhores e muitas obras deverão ser realizadas. Podemos aprender muito com estes jogos, para realizarmos, em 2016, uma olimpíada que leve para o resto do mundo uma imagem bela e positiva do nosso país.


Mazinho Sol, professor de Literatura do Colégio Solução. Mazinho é escritor, jornalista e critico de arte.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Obras literárias UFSC 2013

A UFSC divulgou no início de fevereiro a lista dos livros que serão cobrados na prova de literatura de seu vestibular para ingresso em 2013. Na lista, repetiu-se um livro do ano anterior: “Memórias de um sargento de Milícias”, de Manoel Antônio de Almeida. Este é o único livro do Séc. XIX na lista e é um clássico romântico que já previa visões do realismo, lançando o anti-herói Leonardo. No ano que completamos 90 anos da Semana de Arte Moderna de São Paulo, dois modernistas de 22 estão na lista. As deliciosas lições de amor da Fräulein Elza de 35 anos e o adolescente Carlos de 16 anos, do livro “Amar, verbo intransitivo” de Mário de Andrade e o irreverente “Memórias Sentimentais de João Miramar”, de Oswald de Andrade. O romance Capitães de Areia do baiano Jorge Amado e o a peça de teatro “o beijo no asfalto” do polêmico escritor carioca Nelson Rodrigues são clássicos muito bem escolhidos para prova. Como de tradição, a UFSC sempre inclui autores catarinenses: Guido Wilmar Sassi, lageano, escreveu o livro “Geração no Deserto” que conta sobre a Guerra do Contestado entre Santa Catarina e Paraná e que virou filme em 1971 com o título: "A Guerra dos Pelados"; Silveira de Souza é contista do Grupo Sul, que instituiu o modernismo em Santa Catarina nos anos 40 e dele entra o livro “Ecos do Porão”. Completa a lista a coletânea de poesias de diversos autores, “Poesia Marginal” da série para gostar de ler.

1. Mário de Andrade
Amar, verbo intransitivo
Editora Agir
2. Nelson Rodrigues
Beijo no Asfalto
Nova Fronteira
3. Jorge Amado
Capitães de Areia
Companhia das Letras
4. Silveira de Souza
Ecos no Porão – volume 2
Editora da UFSC
5. Guido Wilmar Sassi
Geração do Deserto
Editora Movimento
6. Manoel Antônio de Almeida
Memórias de um sargento de Milícias
NUPILL/UFSC e diversas editoras
7. Oswald de Andrade
Memórias Sentimentais de João Miramar
Editora Globo
8. Diversos autores
Poesia Marginal
Editora Ática


sábado, 12 de março de 2011

Visconde de Taunay - Autor de Inocência

Alfredo D’Escragnolle Taunay (Rio, 1843-1899)



Descendente de família nobre de pintores que chegou ao Rio de Janeiro durante a estada de D. João VI na cidade, teve educação intensa em artes e posteriormente ingressou na carreira militar onde serviu como engenheiro na guerra do Paraguai. Seu primeiro romance foi A Mocidade de Trajano, publicado em 1871, sob o pseudônimo de Silvio Dinarte. Também em 1871 publicou A Retirada de Laguna, com impressões suas sobre um momento importante da Guerra do Paraguai. Seu principal livro foi Inocência (1872), romance que inaugura o Regionalismo no Romantismo Brasileiro, trazendo para a prosa a vida e o linguajar do interior do Brasil que conheceu em suas viagens militares. A partir de 1872, ingressou no Partido Conservador, elegendo-se deputado e senador pela província de Santa Catarina, a qual também presidiu. Sendo monarquista convicto, afastou-se da política com a proclamação da república.

Sendo, em sua formação e atividades, engenheiro, militar e pintor, retratou em sua obra um universo verossímil, com paisagens de detalhadas descrições, sendo até classificado por alguns críticos como um precursor do Realismo. Muito inteligente e racional, criou diálogos naturais com linguagem simples, frutos de sua observação dos costumes rudes dos sertanejos. Tendo uma ampla e variada obra, atuou também como jornalista, memorialista e biógrafo.
Cuba sim, em nome da verdade.


Cuba sim, em nome da verdade, foi o enredo monêmico (ou seria unânime) da escola de samba União da Ilha da Magia, campeã do carnaval 2011 em Florianópolis. O título da escola vem colocar uma pedra em cima de uma levantada discussão sobre o tema Cuba, escolhido pela escola como homenagem a um povo feliz, vencedor e de opções políticas diferentes da maioria de outras nações. Uma parte reacionária da sociedade e da imprensa catarinense, estado que raramente elegeu candidatos de partidos de esquerda, em diversas oportunidades, criticaram o enredo como polêmico. Observa-se que o enredo só passou a ser polêmico, pois a polêmica foi forçadamente levantada e o adjetivo passou a acompanhar o carnaval da UIM em noticiários e notas do jornalismo. Outra União da Ilha, a do Governador, da cidade do Rio de Janeiro, desfilou o enredo sobre Darwin na Sapucaí. Estranhamente, ninguém levantou o tema como polêmico, em um Estado de grande quantidade de evangélicos e crentes e onde um garotinho que fugiu da escola e virou governador tentou instituir o criacionismo nas escolas municipais, em detrimento ao darwinismo. Neste caso, simplesmente não se quis levantar a polêmica. Logo, o termo polêmico na escola da ilha do sul foi mais imposto pela má fé e ignorância de alguns do que pelo fato de realmente ser. Aliás, se a União da Ilha do Rio fosse julgada (não foi em função de um incêndio), qual seria a nota de Darwin no quesito evolução?

Da cogitação e polêmica prévias ao desfile há uma grande ponte sobre o rio de águas turbulentas. A procura por fantasias e a freqüência nos ensaios na praça da lagoa só aumentou, principalmente pela simpatia com o enredo. A escola aumentou consideravelmente as vendas de camisetas com a imagem de Che Guevara que, aliás, sempre esteve em alta. A escola aproximou mais e aumentou muito a simpatia com um povo alegre, forte e batalhador que possui muito mais semelhanças que diferenças com o brasileiro, abafando uma antipatia ou rivalidade vindas de uma época de combate a imagem comunista na ditadura militar e, posteriormente, de jogos memoráveis entre as seleções nacionais de voleibol, tanto nos mundiais como nas olimpíadas. Por que não mostrar os lados ruins da ditadura de Fidel em cuba? A resposta é simples: enredo de carnaval não é tese acadêmica de doutorado em história ou filosofia exigindo análises profundas, técnicas ou até verdadeiras. Carnaval é uma festa popular, de fantasias, de máscaras, onde o principal intuito é a diversão. O desfile de uma escola de samba é uma obra de arte montada como se produz uma ópera: com sua música, figurinos, cenário, personagens, cenas, fantasias, musas, histórias e, principalmente, sua platéia. A esta platéia é muito mais indicado a comédia que o drama. Acreditar que a escola, fazendo jus ao nome escola, deveria mostrar a verdade verdadeira é esperar que a Grande Rio, escola carioca que homenageou Florianópolis, entrasse na avenida com um carro alegórico que apresentasse a praça da alfândega com crianças fumando crack e cheirando cola ou até um carro alegórico com uma famosa árvore de natal de quatro milhões de reais com o Andrea Bocelli de destaque. Talvez o carnaval seja muito mais para se esquecer destes fatos do que lembrá-los.

O desfile em si foi unânime, quando a UIM entrou no sambódromo Nego Quirido, a possibilidade da recém criada escola de samba ganhar o título tornou-se evidente. A comissão de frente, nivelando-se com as melhores escolas do eixo Rio - São Paulo, arrancou aplausos de toda a arquibancada. Seu primeiro carro alegórico trouxe o execrável e aterrorizante Tio Sam, refletindo as influências e interferências norte-americanas em cuba; levou ao delírio uma nova leva de torcedores da arquibancada: aqueles que estudam história e filosofia na universidade federal, andam de camiseta vermelha e frequentam diretórios centrais de estudantes e centros acadêmicos. A bateria do mestre Dé e da rainha Catarina, vestida de “guerreiros unidos da revolução”, com suas boinas vermelhas (extremamente cobiçadas pelos turistas no fim do desfile), fez um desfile tecnicamente correto e militarmente excitante: batendo continência e reverenciando a assistência. Marcelo Perna, sempre de retórica eloqüente, cantou um samba simples e ingênuo, mas de fácil memorização com refrões que lembravam gritos de guerra. Passando pelo turismo, saúde, educação, a escola finaliza o desfile mostrando os velhos cabarés de Havana, como o cabaré Tropicana, onde a luso-brasileira Carmem Miranda se apresentou nos anos em que Cuba era o Balneário Camboriú dos americanos.

Certamente, a estrela que mais brilhou na passarela na noite de sábado para domingo deste carnaval não foi uma mulata gostosa com roupas pequenas e sambando muito, pelo contrário, foi a médica pediatra legista (será que existe profissão que exige mais sangue frio que esta?) Aleida Guevara, que desfilou no segundo carro alegórico representando a revolução cubana. Filha do ex-combatente Ernesto Che Guevara, Aleida foi convidada a desfilar pela diretoria da escola. Inicialmente custou a entender o que era um desfile de escola de samba e o que estava fazendo ali, entrando em uma avenida com arquibancadas lotadas aos lados, na frente de um canhão de brinquedo montado em cima de uma estrutura de metal toda decorada e com rodinhas. Seu carro alegórico vinha logo atrás da bateria e da ala das passistas, o que contagiou muito a visitante que saiu do desfile cantando o samba enredo da escola e com um lindo sorriso no rosto. Dizendo que estava ali representado todo o povo cubano e não só a figura do pai, respondeu também para uma emissora de televisão local: “Quando um povo se utiliza de sua festa mais popular para homenagear outro povo, isto deve ser um grande motivo de orgulho e alegria.” Aleida comentou também da felicidade das pessoas durante a festa; esteve na apuração dos votos e vibrou com a vitória da escola novata; participou emocionada do desfile das campeãs na noite de terça-feira. Imagine só o que esta mulher terá de histórias para contar para seus colegas de trabalho no Hospital de Havana, em seu retorna a Cuba.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Os Livros do Vestibular da UFSC 2012

A Universidade Federal de Santa Catarina divulgou recentemente a lista das obras indicadas para seu Vestibular de 2012. A leitura dos livros é essencial uma vez que a prova do vestibular cobra questões com detalhes do enredo que só podem ser resolvidas com a leitura das obras. Convém também conhecer o contexto histórico, social, cultural e estético de cada obra, bem como o reconhecimento de aspectos próprios aos diferentes gêneros. Neste blog serão postados durante este ano vários artigos, resenhas e ensaios sobre as obras e seus autores. Acompanhe-os. Segue abaixo a lista das oito obras indicadas para o vestibular UFSC 2012.

1. Visconde de Taunay - Inocência

2. Manoel Antônio de Almeida - Memórias de um Sargento de Milícias

3. Dias Gomes - O Pagador de Promessas

4. Ana Miranda - AMRIK

5. Oswaldo França Júnior - Jorge, um brasileiro

6. Cecília Meireles - Viagem & Vaga Música

7. Milton Hatoun - A Cidade Ilhada

8. Adolfo Boss e Outros - Treze Cascaes

A redação no vestibular da UFSC

A prova de redação da UFSC têm sido cada vez mais original e criativa em seus temas e gêneros. A redação que era inicialmente uma dissertação passa a variar para cartas, narrações, contos, argumentações e crônicas, saindo de um padrão convencional e dando liberdade a linguagem. As receitas antigas de professores para dissertações com cinco parágrafos contendo apresentação, tese, antítese, conciliação e conclusão perdem valor e prioriza-se a capacidade de entendimento e adaptação ao tema, a coerência, a linguagem e argumentação do aluno. Esta e uma grande evolução e coloca a prova da UFSC na linha de frente das inovações e evoluções dos vestibulares. Como escrito no edital do vestibular de 2011, a redação deve ser resultado da produção e da criatividade do candidato.


A diversificação de gêneros literários e temas acaba contribuindo e fazendo parte do processo de seleção uma vez que se integra a itens relevantes à correção como adequação ao tema proposto e nível de informação. Segue abaixo informações do edital do vestibular de 2011 com relação a critérios de avaliação.



A avaliação da Redação será considerada nos planos do conteúdo e da expressão escrita, quanto à/ao:

a) adequação ao tema proposto;

b) modalidade escrita na variedade padrão;

c) vocabulário;

d) coerência e coesão;

e) nível de informação e de argumentação.



Sobre critérios de correção e avaliação é interessante conhecer a publicação sobre o conteúdo programático da disciplina redação e produção textual que está no site oficial da COPERVE-UFSC. Neste programa informa-se o critério de correção baseado em três vertentes: adequação; coerência e coesão; informação e argumentação. Entende-se por adequação o entendimento da proposta de texto da redação, a proximidade do texto do aluno com o tema, a adequação da modalidade escrita na variedade padrão, o respeito as normas gramaticais e ortográficas e o vocabulário. Na coerência e coesão analisam-se o encadeamento das ideias, organização do texto, relações semânticas e uso de conjunções e tempos verbais. As informações e argumentos escolhidos pelo aluno devem ser condizente com seu grau de escolaridade, escolhidas e organizadas de modo consistente para o entendimento do texto.

Do ponto de vista da contextualização, o próprio termo redação de vestibular, ou redação de concurso pode ser considerado um gênero textual, gênero este que possui um tamanho determinado (20 a 30 linhas na UFSC), um tempo e momento para ser escrito e destinado a um leitor (examinador) desconhecido. Dentro do gênero redação de concurso podemos encontrar diversos gêneros em relação ao estilo do texto proposto. Até o ano de 2002 a prova continha apenas uma proposta de redação que era necessariamente uma dissertação. A partir de 2003 a redação deixa de ser obrigatoriamente uma dissertação e passa a ser um texto em prosa, podendo abranger outros gêneros. Desde 2003 também passa-se a pedir mais de uma proposta, sendo duas propostas de 2003 a 2005 e três propostas de 2006 em diante. Nos anos de 2003 a 2005 o texto poderia ser uma dissertação ou outro texto com caráter argumentativo. De 2006 em diante as propostas passam a diversificar os gêneros pedindo cartas, narrações, notícia de jornal, crônicas e até contos. Observa-se uma abertura cada vez maior dos temas e dos gêneros com o objetivo de possibilitar mais liberdade para o aluno expor suas qualidades redacionais. A partir de 2006 também temos uma relação muito grande entre a prova de redação e os livros de leitura obrigatória da prova de literatura. No último vestibular, em 2010, este modelo se manteve, tendo-se três propostas: uma dissertação, uma narração e um conto ou crônica baseado em um poema de Mário Quintana, de um dos livros indicados para o vestibular.

Nas provas dissertativas e argumentativas destacam-se, em sua maioria, temas sociais e cotidianos como a colonização do Brasil (2000), a preservação da natureza (2001), o tratamento do homem como bicho (2002), a pedofilia ou o culto ao corpo (2003), a vaidade e a posição do homem na família (2005), a ética e a moral (2008) e até o fim do mundo (2010). Destacam-se dois temas fortes e polêmicos: o preconceito com exposição e discussão de temas como os gays e os negros (2004) e a sempre polêmica discussão sobre cotas raciais e sociais nas universidades (2005). Nas provas mais recentes com mais de uma proposta surgem temas mais leves e diversos: uma carta ao presidente da ONU sobre a paz (2006), um texto bem livre em primeira pessoa onde o aluno deve completar o pensamento: “Eu preciso de...” (2008), uma carta a um amigo sobre seus sentimentos, hoje, a respeito do país em que você nasceu e baseado no poema Uma Canção de Mário Quintana (2009) e até uma notícia de jornal sobre suspeita de bruxaria no desaparecimento de jovem na Lagoa da Conceição (2010). Uma inovação e particularidade recente da prova da UFSC é a correlação entre a redação e as obras literárias indicadas para o vestibular. Entre eles podemos citar: considerando a lista das obras literárias indicadas para este vestibular, qual ou quais dos livros desta relação você indicaria para leitura e qual ou quais você não aconselharia? (2006) Escreva um texto considerando situações envolvendo personagens das obras listadas para o Vestibular 2008 – que podem ser vistas à luz da ética e da moral. Escrever um texto que responda à pergunta: ainda existe no Brasil de hoje pessoas como o personagem Zé do Burro, da obra de Dias Gomes, O Pagador de Promessas? (2009)

A redação na prova do vestibular da UFSC para 2011 vai valer 15 pontos dos 105 possíveis, o que significa 14,2% do total da nota. Destes 15 pontos o aluno deve fazer pelo menos 30% da nota para não ser eliminado, ou seja 4,5 pontos. Como as médias das notas dadas pelos corretores são em torno de 50% da nota total e como o desvio padrão das notas de redação é muito baixo, acaba a redação não tendo muito peso na classificação final dos candidatos, sendo menos decisivas que as provas de matemática, física e química, por exemplo. Aconselha-se a banca a distribuir melhor as notas, dando notas mais altas as redações boas e notas mais baixas as mais fracas para que a redação pese mais na classificação. Era de se esperar muito que graduados em letras tenham conhecimentos básicos de matemática e estatística (mesmo sendo estas matérias obrigatórias do ensino médio - a média dos aprovados em língua portuguesa em 2008, por exemplo, foi 3,79 na prova de matemática). Serão eliminados, com nota zero de redação, os seguintes casos: fuga total do tema, redação resultante de plágio, redação escrita em versos ou identificação do candidato no espaço destinado à redação.

domingo, 24 de outubro de 2010

História de Roma e formação do latim


A data oficial da fundação de Roma é 753 a. C.. Sem registros precisos sabe-se que o Estado Romano teve origem entre os séculos VIII e IX a. C. e cresceu progressivamente até atingir dimensões grandiosas no primeiro século de nossa era. A história de Roma se divide em três grandes fases, marcadas por seus regimes políticos: a Realeza (até 509 a.C.), a República (509 a. C. até 27 a. C.) e o Império (27 d.C. até 476 d. C).

Existe na história de Roma uma certa democratização crescente do poder iniciado pelos patrícios, classe fechada que comandava a cidade nos primeiros tempos e um progressivo ganho de espaço pelos plebeus. A chegada do Império não representa, como se poderia pensar, um retorno á oligarquia, mas um resultado natural da desordem militar e da demagogia política no fim do período republicano.

A expansão territorial iniciou-se no período republicano e intensificou-se no império. A conquista da península itálica ocorreu no século IV a. C. , posteriormente conquistou-se a Magna Grécia em III a. C. e a Europa mediterrânea no século seguinte. No final da república conquistou-se a Gália e a península ibérica e no início do Império Romano a Ásia Menor, a Mesopotâmia, o norte da África e até a Bretanha.

A lenta decadência do Império Romano iniciou-se com Trajano no século II d. C. e ocorreu principalmente pelo não controle de seu grande território. Aos poucos os bárbaros que haviam sido conquistados foram se aculturando, principalmente belicamente, pois muitos participavam como legionário e até oficiais do exército romano e foram retomando seus espaços.

Conforme o Império conquistava seus territórios o Latim se impunha como língua franca, embora os romanos respeitavam as tradições religiosas e lingüísticas de seus conquistados. Desta maneira o Latim influenciava e era influenciado pelas outras línguas. Existiam basicamente duas formas do Latim: o Latim Clássico, utilizado principalmente em Roma e pelos administradores do império em documentos oficiais e o Latim Vulgar, utilizado pelos soldados e pelos comerciantes. O Latim Clássico convergiu para o Latim utilizado principalmente pela Igreja Católica a partir da Idade Média em seu documentos e cultos e resulta no Latim hoje estudado. O Latim Vulgar popularizou-se entre a maioria dos moradores da Europa e, sendo uma mistura de várias outras línguas faladas por povos conquistados pelos romanos produziu as chamadas línguas românicas, em sua maioria faladas até hoje como o Português, o Francês, o Italiano, o Espanhol e o Romeno.
A formação do cânon literário.




Inicialmente a linguagem é uma forma de relação não injetora entre o real e o simbólico no qual um termo ou uma expressão visa representar uma situação na qual a interpretação depende das bases culturais do receptor. Desta maneira a cultura ocidental entende que dominar a linguagem é uma forma de poder e de imposição social sobre os que a não dominam. Para entender o conceito de cânon é relevante esta observação pois a escolha de um cânon literário é uma forma de formalizar um conjunto de obras que ratificam, justificam e impõe o poder social e cultural. Um texto contém dentro dele toda a experiência de outros textos e toda a relação com os significados de uma cultura e um tempo.

Na Grécia “Kanon” representava uma vara de medição e derivou para as línguas latinas com o sentido de norma ou lei. A primeira visão de canonização (mesma palavra aliás para definir que são os santos na religião católica) vem dos princípios do cristianismo quando escolheu-se quais textos fariam parte e quais textos não fariam da Bíblia, isto demonstra uma imposição de autoridade e de poder da igreja procurando quais verdades lhe interessavam. Na visão artística literária, o cânon representa um conjunto de obras consideradas obras-primas com um valor fundamentas para o patrimônio da humanidade e que deve ser conhecida pelas gerações futuras. Estes clássicos seriam incontestáveis e referência para a cultura universal (ou ocidental), mas qual seriam os critérios para inclusão ou exclusão de um texto nesta lista?

Uma possível explicação pela inclusão do uma obra no cânone esta relacionada com a estética, estimando o valor do texto que contém uma beleza literária, sem considerar valores externos. Esta é uma noção é ideológica e elitista mostrando mais uma vez a relação de qualidade como a relação de poder. Esta idéia inicia-se no final do século XIII e início do XIX, com a idéia de que esta suprema beleza rivaliza com as mazelas do capitalismo. Posteriormente, as universidades realizam esta tarefa de estratificação cultural elegendo as grandes obras a serem estudadas. Esta visão contem uma transmissão cultural da obra que exclui algumas extratificações sociais que exclui algumas camadas da sociedade, não incluindo neste cânone mulheres, africanos ou indígenas e aproximando a qualidade do homem, branco e europeu ( ou do WASP norte americano). È recente a inclusão de algumas mulheres, alguns latinos e alguns negros como autores de qualidade, ou seja , o ato de ler é um ato também político.

A composição do cânone brasileiro se inicia com um forte nacionalismo dos românticos, nacionalismo este que procura os valores da terra mas não perde a influência do ideais europeus, principalmente franceses. No final do século XIX, onde a cultura era extremamente elitista, até porque poucos eram as pessoas que possuíam livros e sabiam ler, temos a influência de dois críticos relativamente opostos que são Silvio Romero, valorizando mais a visão social e José Verissimo, valorizando mais o estilo e a forma do texto. Este mesmo entrave segue no século posterior com duas vertentes distintas, onde Afrânio Coutinho, em Conceito de literatura brasileira analisa mais a estilística, no modelo do “new cristicism” norte-americano e Antônio Cândido, de formação sociológica, na Formação da literatura brasileira, valoriza a relação da obra com o social.

Pode-se concluir então que alem de subjetiva e pessoal, a formação de um cânone literário é também social e política, divergindo de crítico para crítico, com critérios de inclusão e exclusão muito variantes.
O que é Literatura?

Antes de qualquer discussão, literatura é arte. Mas o que é arte? A arte apresenta vários conceitos. O mais consagrado é o de Aristóteles: “Arte é mimese” (espelho da vida, imitação da natureza, imitação da realidade a fim de buscar a perfeição ou o belo). Provavelmente não conseguiremos chegar a uma definição exata, delimitando seus contornos com o não artístico, do que é arte e provavelmente do que é literatura. Da mesma maneira, se algum dia você se perguntar o que é música, vai se deparar com o mesmo dilema, mas certamente a literatura, o teatro, a música são subconjuntos de um conjunto mais chamado arte. Literatura como entendemos pode ser o conjunto de obras escritas, ou mais especificamente a composição de obras de arte em que a palavra é a matéria-prima. Logo a literatura é a arte de escrever. A linguagem literária pode ser diferente da usada na comunicação diária. É uma linguagem que se preocupa mais com o aspecto estético, usa muito a conotação e a função poética, palavras que ganhem novos significados, portanto pode requer muito trabalho estético do autor.
Para José Luis Jobim, em seu texto História da Literatura, O conceito do que é uma obra literária tem suas bifurcações. Pode-se pensar que qualquer texto escrito e, as vezes, até um expressão não verbal pode ser literatura. Pode-se pensar, como imaginavam os formalistas russos, que a obra literária possui uma propriedade comum às obras literárias chamada literariedade ou, como Roman Jakobson, como aquilo que faz uma mensagem verbal uma obra de arte. A própria definição exata dos períodos literários e dos estilos de época são perigosas ou, no mínimo, subjetivas, dependendo de quem, onde e principalmente quando esta definição está sendo feita. A organização e classificação das obras literária é muito mais subjetiva que a própria obra. Quando um autor escreve, vários leitores o interpretaram de diversas maneiras.
Terry Eagleton, em seu livro Teoria da Literatura: uma introdução afirma: “Se a teoria literária existe, parece óbvio que haja alguma coisa chamada literatura, sobre o qual se teoriza.” Porem, prosseguindo no texto, e fazendo possíveis definições do tema, encontra para cada uma delas problemas e falhas em suas enunciações. Uma possível distinção inicial entre o literário e o não literário poderia estar na discriminação entre o fato e a ficção. Porém, podemos encontrar textos medievais e novelas de cavalaria onde algumas são ficções e outras revelam tentativas de relatar episódios reais reais. Esta distinção pode acontecer até no livro mais publicado e polêmico de todos os tempos: O Evangelho, ou A Bíblia que para alguns, transformar água em vinho, ressuscitar e uma mãe ter um filho sem manter relações sexuais são fatos reais, para outros, pura ficção. (Ainda bem que Gabriel Garcia Marques não nasceu há dois mil anos em Jerusalém e se tornou apóstolo, a neurose místico-evangélica-cristã seria surreal). Assim como a distinção entre o fato real e a ficção imaginativa atormentam as bases da religião, ela também se confronta na ciência. Poucos escritores literariamente consagrados conseguiram ser tão criativos e imaginativos com Einstein em sua teoria da relatividade geral e restrita: velocidade da luz não depender de referencial, espaço contrair, tempo dilatar e massa se relacionar com energia são tão fantásticos que a própria comunidade científica da época não entendeu com realidade.
Sobre os formalistas russo do início do século XX, Terry Eagleton também comenta sobre as valorizações das formas do texto, de seu estilo. Críticos militantes, engajados e políticos, opõem-se ao misticismo simbolista da crítica literária até o momento, propondo um caráter científico à análise do texto. Procura-se a verificação das estruturas da linguagem aplicando os conceitos lingüísticos em oposição ao conteúdo da mensagem. A obra literária é constituída de artifícios, figuras de linguagem que englobam som, imagem, ritmo, rima, métrica, técnicas e narrativas que provocam uma surpresa e um estranhamento no leitor, diferenciando o texto literário do texto comum. Nos desenvolvimento das narrativas os formalistas valorizavam os desvios, como os entraves e retardamentos provocando uma violência lingüística com diferencias, com originalidade. Mais uma vez, a tentativa de definição de literatura encontra limites não definidos; uma frase, pela definição dos formalistas pode ou não ser reconhecida como literária dependendo da aplicação de seu contexto. Podemos encontrar frases simples em grandes obras literárias e até excelentes poemas que contem frases simples e coloquiais mas que formam idéias geniais e de grande valor. Para esta visão os poemas: Poema tirado de uma notícia de jornal ou Pneumotórax de Manuel Bandeira ou até mesmo o Erro de português de Oswald de Andrade não teriam valores formais e literariedade suficientes para serem considerados arte.
Pode-se então pensar que qualquer forma de expressão é literatura, mas aí esbarra-se em discussões como saber se um texto histórico, um texto filosófico, uma tese científica ou até uma bula de remédio contém caráter literário ou não. Mais uma vez encontramos possíveis interpretações dos valores. O valor é subjetivo. Assim como a palavra comida pode se referir a tudo com que uma pessoa pode se alimentar, cada um vai ter seu gosto pessoal por alimentos que mais o satisfazem. Na literatura também temos isto, a literatura contem um conjunto gigantesco de obras que não há alguém que possa ter acesso a todas para definir o que pertence ao seu cânone ou não. Assim também não há duas pessoas que leram exatamente as mesmas obras. A literatura pode ser um DNA da alma, assim como cada corpo físico tem o seu DNA único, aleatório e individual, a literatura de cada um é também pessoal e única, criando dificuldades na elaboração de uma única resposta para a seguinte pergunta: O que é Literatura?